domingo, 27 de março de 2011

Pelos olhos de Capitu

Descobri a literatura no final do ensino médio, com aquela história de leitura obrigatória para o vestibular. Bem, o fato é que, entre todas as 10 obras que me propus ler espontaneamente, a primeira escolhida foi Dom Casmurro, por acreditar ser a mais chata de todas. Quanta ignorância! Já nas primeiras páginas me encantei com o estilo e todo aquele jogo que, com exclusiva maestria, Machado faz com o leitor.
Porém, um fato específico e real, fez com que eu me identificasse com a personagem com olhos de ressaca. Alguns meses antes de ler a obra, tinha perdido um querido amigo e nessa época mantinha uma paixão quase platônica por outro amigo que tinhamos em comum (é... amores platônicos são minha sina). Assim, no trecho em que Capitu chora a morte de Escobar, chorei junto, pois naquele momento, sofria pela perda do amigo e pela dor que minha paixão também sentia.
Mas a vida continua, certo?! Algum tempo depois a paixão foi esquecida, do amigo ficaram recordações e saudades, mas Machado permanece para mim como o grande nome da literatura e Capitu, como minha personagem favorita, minha primeira identificação com as páginas de um livro.


 


Pelo Sempre!

Ah, os abraços coletivos...




Quando os abraços são coletivos, as palavras são desnecessárias!

Por vocês, meninas!

sábado, 26 de março de 2011

E agora, Chapeuzinho?

Certo dia, a mãe de uma menina mandou que ela levasse um pouco de pão e leite para sua avó. Quando caminhava pela floresta, um lobo aproximou-se e lhe perguntou-lhe onde ia.
- Para a casa da vovó.
- Por qual caminho, o dos alfinetes ou das agulhas?
- O das agulhas.
O lobo seguiu pelo caminho dos alfinetes e chegou primeiro à casa. Matou a avó, despejou seu sangue numa garrafa, cortou sua carne em fatias e colocou numa travessa. Depois, vestiu sua roupa de dormir e deitou-se na cama, à espera.
Pa, pam.
- Entre, querida.
- Olá, vovó. Trouxe um pouco de pão e leite.
- Sirva-se também, querida. Há carne e vinho na copa.
A menina comeu o que foi oferecido, enquanto um gatinho dizia: "Menina perdida! Comer a carne e beber o sangue da avó!"
- Tire a roupa e deite-se comigo.
- Onde ponho meu avental?
- Jogue no fogo. Você não vai mais precisar dele.
Para cada peça de roupa (...) a menina fazia a mesma pergunta, e a cada vez o lobo respondia:
- Jogue no fogo... (etc.).
Quando a menina se deitou na cama, disse:
- Ah, vovó! Como você é peluda!
- É para me manter aquecida, querida.
- Ah, vovó! Que ombros largos você tem!
(etc., etc., nos moldes do diálogo conhecido, até o clássico desfecho):
- Ah, vovó! Que dentes grandes você tem!
- É para comer melhor você, querida.
E ele a devorou.

(Fragmento retirado do livro Fadas no Divã de Diana e Mário Corso.)

Infelizmente, para os que esperam ansiosos pelo "Happy End", a narrativa compilada da literatura oral por Charles Perrault, na França camponesa do século XVII, termina exatamente assim. Sem caçador, sem final feliz, sem moral da história. Com uma narrativa cruel, seca e nada infantil. 


A versão que hoje conhecemos, e a mais popular, para a alegria dos sonhadores,  viria cem anos depois de Perrault ter recolhido a versão citada acima, agora sim com um final feliz trazido pelos Irmãos Jacob e Wilhelm Grimm. Na voz dos Irmãos, tudo termina bem!
Ah, Caçador!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Somos da época em que as pessoas escreviam cartas e se telefonavam!

Sempre preferi usar a expressão bom amigo, no lugar de melhor amigo. A palavra "melhor" me remetia, e ainda remete, a ideia de algo passageiro, que pode mudar de repente ou simplesmente deixar de ser. Essa foto é de 96, éramos uma turma que sabiamos nos divertir, éramos felizes, jovens, ainda não sabiamos muito bem o que queriamos ser, nem tinhamos ideia do que nos tornariamos. O dinheiro era curto, não tinhamos carros... mas nem por isso perdiamos a diversão. Tinhamos uns aos outros, (e sabíamos disso), para brigar, apoiar, defender..., fazer o que bons amigos fazem. Tinhamos dois pontos de encontros basicamente: o shopping, na época só existia o beira-mar, onde passávamos as tardes de sábado, e outros dias também, sentados na praça de alimentação bebendo chopp e fumando marlboro vermelho, falando uns dos outros (mal algumas vezes). Nessas tardes de sábado programávamos também nossas noites de sábado, que eram sempre no mesmo lugar: "Octopus Cave", melhor casa noturna da época, porque estavamos lá, é claro. No domingo de tarde, voltávamos ao shopping, dessa vez para comentar tudo, tim-tim por tim-tim o que tinha acontecido na noite anterior, não escapava nenhum detalhe, é claro que não mudava muita coisa de uma semana para outra, mas não podiamos perder nenhum motivo para mais um encontro. E foi assim que entre risos, lágrimas, foras e cutucões, crescemos e cada um seguiu seu caminho, nada mais natural! Hoje, quando acontece de alguns de nós conseguirmos nos encontrar, vixe!, são tantas mémorias: "lembra disso?", "lembra daquilo?", "e aquele lá, como é mesmo o nome?", "sabe quem eu encontrei um dia desses?", e nesse exato momento a saudade se faz ausente e por alguns instantes voltamos a ser NÓS novamente, e isso consola por um tempo... mas nunca o suficiente!
Seja como for, mais de uma década passou e vocês continuam sendo meus bons, meus grandes amigos. (Ops! Quase usei "melhores" sem querer.)
Um fato curioso é que ainda não existiam as redes socias e, as máquinas digitais ainda não eram populares, e isso era PERFEITO! Ironicamente, as coisas pareciam mais fáceis ou pelo menos mais reais, precisávamos esperar as fotos serem reveladas, escreviamos cartas, bilhetes, mandavamos cartões, nos telefonávamos e, éramos imensamente felizes com nossas vidas de jovens e com a responsabilidade que nos cabia: sermos nós mesmos!, e digo sem modéstia alguma, que éramos muito bons nisso!

Post dedicado a todos os que dividiram essas tardes e noites comigo... e especialmente ao nosso Billy (da foto acima), que muita saudade deixou, mas que teve que partir.
Saudade imensa!