
Sempre preferi usar a expressão bom amigo, no lugar de melhor amigo. A palavra "melhor" me remetia, e ainda remete, a ideia de algo passageiro, que pode mudar de repente ou simplesmente deixar de ser. Essa foto é de 96, éramos uma turma que sabiamos nos divertir, éramos felizes, jovens, ainda não sabiamos muito bem o que queriamos ser, nem tinhamos ideia do que nos tornariamos. O dinheiro era curto, não tinhamos carros... mas nem por isso perdiamos a diversão. Tinhamos uns aos outros, (e sabíamos disso), para brigar, apoiar, defender..., fazer o que bons amigos fazem. Tinhamos dois pontos de encontros basicamente: o shopping, na época só existia o beira-mar, onde passávamos as tardes de sábado, e outros dias também, sentados na praça de alimentação bebendo chopp e fumando marlboro vermelho, falando uns dos outros (mal algumas vezes). Nessas tardes de sábado programávamos também nossas noites de sábado, que eram sempre no mesmo lugar: "Octopus Cave", melhor casa noturna da época, porque estavamos lá, é claro. No domingo de tarde, voltávamos ao shopping, dessa vez para comentar tudo, tim-tim por tim-tim o que tinha acontecido na noite anterior, não escapava nenhum detalhe, é claro que não mudava muita coisa de uma semana para outra, mas não podiamos perder nenhum motivo para mais um encontro. E foi assim que entre risos, lágrimas, foras e cutucões, crescemos e cada um seguiu seu caminho, nada mais natural! Hoje, quando acontece de alguns de nós conseguirmos nos encontrar, vixe!, são tantas mémorias: "lembra disso?", "lembra daquilo?", "e aquele lá, como é mesmo o nome?", "sabe quem eu encontrei um dia desses?", e nesse exato momento a saudade se faz ausente e por alguns instantes voltamos a ser NÓS novamente, e isso consola por um tempo... mas nunca o suficiente!
Seja como for, mais de uma década passou e vocês continuam sendo meus bons, meus grandes amigos. (Ops! Quase usei "melhores" sem querer.)
Um fato curioso é que ainda não existiam as redes socias e, as máquinas digitais ainda não eram populares, e isso era PERFEITO! Ironicamente, as coisas pareciam mais fáceis ou pelo menos mais reais, precisávamos esperar as fotos serem reveladas, escreviamos cartas, bilhetes, mandavamos cartões, nos telefonávamos e, éramos imensamente felizes com nossas vidas de jovens e com a responsabilidade que nos cabia: sermos nós mesmos!, e digo sem modéstia alguma, que éramos muito bons nisso!
Post dedicado a todos os que dividiram essas tardes e noites comigo... e especialmente ao nosso Billy (da foto acima), que muita saudade deixou, mas que teve que partir.
Saudade imensa!