Descobri a literatura no final do ensino médio, com aquela história de leitura obrigatória para o vestibular. Bem, o fato é que, entre todas as 10 obras que me propus ler espontaneamente, a primeira escolhida foi Dom Casmurro, por acreditar ser a mais chata de todas. Quanta ignorância! Já nas primeiras páginas me encantei com o estilo e todo aquele jogo que, com exclusiva maestria, Machado faz com o leitor.
Porém, um fato específico e real, fez com que eu me identificasse com a personagem com olhos de ressaca. Alguns meses antes de ler a obra, tinha perdido um querido amigo e nessa época mantinha uma paixão quase platônica por outro amigo que tinhamos em comum (é... amores platônicos são minha sina). Assim, no trecho em que Capitu chora a morte de Escobar, chorei junto, pois naquele momento, sofria pela perda do amigo e pela dor que minha paixão também sentia.
Mas a vida continua, certo?! Algum tempo depois a paixão foi esquecida, do amigo ficaram recordações e saudades, mas Machado permanece para mim como o grande nome da literatura e Capitu, como minha personagem favorita, minha primeira identificação com as páginas de um livro.
