quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Não Sei Quantas Almas Tenho

 
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
 
Fernando Pessoa
 


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Nostalgia

perdi meus versos...

e escrevo agora desordenado na ilusão de despir-me dos velhos sentimentos.
em vão, reluto, e tento esconder a saudade.
lamento os dias de sol e a alegria de anônimos.
relembro suas promessas e volto a culpar o mundo pelo meu sofrimento.

é noite e a chuva me faz companhia.



P.S.: quando a saudade para de doer?


terça-feira, 11 de setembro de 2012

À Espera de Outros Ventos

em uma dessas madrugadas,
 entre cigarros e devaneios,
 encontrei algumas palavras perdidas...

 
 
"somos a combinação perfeita entre música e poesia.
somos a paz exclusiva que o outro procura.
gosto do jeito que transitamos um no silêncio do outro.
parece complexo, mas é simples..."