Já nem sei por onde caminhar.
Só sei que não é mais possível continuar assim...
Preciso de foco...
Preciso do óbvio...
Preciso do explícito...
Cansei de tentar ler nas entrelinhas.
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Ilustração: Clésio Robert
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Foto: Fran Valgas
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Para ela: só isso.
Para ele: tudo isso.
Mais uma vez tudo se perdeu. Já não basta arrumar desculpas, tentar entender o desenrolar (ou a inércia) daquilo que nunca deveria ter começado. Por que ela entrou nessa? Nem ela sabe responder.
O fato é que pouco a pouco ela foi percebendo que faltava algo, mas mesmo assim insistiu, foi até onde acreditou ser possível, esperou e doou-se muito mais que em suas relações anteriores. Sua única decepção é consigo mesma, agora ela simplesmente se culpa por não ter permitido que o "só isso/tudo isso" permanecesse no campo dos sentimentos platônicos. Mas a barreira dos platônicos já foi ultrapassada há muito tempo, nada mais resta, a não ser o fim.
A decisão dessa vez é definitiva, daqueles olhos de ressaca, não saiu nenhuma lágrima, sentia agora uma sensação angustiante de liberdade. Ponderou, mas resolveu deletá-lo de todos os meios possíves de comunicação, e estranhamente, sorriu. Lembrou do horóscopo que havia lido horas atrás e pensou "quanta baboseira!".
E como planejava partir há tempos, arrumou as malas, colocou o pé de comigo-ninguém-pode na rua, ligou para a mãe, abandonou o gato no portão da vizinha, entrou no carro e se foi.
Se foi sem planos, sem mapas, sem celular, sem destino, e conseguiu ser feliz até a próxima esquina... |