sexta-feira, 27 de julho de 2012

Como Alice e Seu Espelho


Algumas palavras simplesmente precisam ser ditas escritas, mesmo que nunca compreendidas, ou até mesmo lidas... talvez esse seja o real encanto do mundo das letras: aleatoriamente juntamos os fragmentos e escrevemos.
São assim, sem pretensão e sem culpa, as poucas linhas que algumas vezes dedico a ti, mas que sempre acabam falando de mim.

Entendo o ato de escrever como um momento solitário, de melancólica cumplicidade singular entre escritura e escritor, onde estes se misturam, se camuflam, se confundem. Entre tantas linhas e por entre as linhas, já quis ser a Rainha Vermelha, invejei a sabedoria da Lagarta Azul, mas sempre termino querendo ver através do espelho, como desejou Alice. A diferença é que uso as palavras como refletores de mim mesma... Talvez ainda seja a menina curiosa, solitária e confusa, mas que não mais se contenta em ficar inerte.

Assim, por esse momento, apesar de aceitar que pelas palavras, nos movimentamos por onde desejarmos, quero mais, preciso ir além e ver tudo que existe atrás do espelho.

Ou seria melhor não dizer nada?


"Então eu não estava sonhando, afinal de contas, a menos... a menos que sejamos todos parte do mesmo sonho. Só espero que o meu sonho seja meu, e não do Rei Vermelho! Não gosto de pertencer ao sonho de outra pessoa."


Texto publicado originariamente em 21 de outubro de 2011.



2 comentários:

  1. O último capítulo é sempre o que deixa mais desejos, inclusive o de reler...Não achas?

    Último respiro de um (ex)anônimo.

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  2. Ex-Anônimo,

    É pelo último capítulo que decidimos quais livros serão os de cabeceira e quais serão os esquecidos no fundo da estante.

    =)

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